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Archive for the ‘BlockNotes’ Category

reis

Já é Natal porque a gente ouve uns sinos que tocavam longe na nossa infância, na noite que estava sempre enevoada, as pessoas indo para a missa do galo que procurávamos em nosso quintal onde nunca tinha havido um galo. E um certo corre-corre dos lados da cozinha, a preparação da ceia, as velas que estavam escondidas no étager, a presença indefectível de Geralda, pronta para se vestir de Papai Noel.  Sim, tudo já eram prenúncios, mas temíamos pelo dia 25, o do aniversário pois todo ano chovia, chovia forte e as mães não deixavam os meninos vir à festa. Ficávamos sozinhos, eu e meus irmãos, olhando o tempo através da vidraça, imaginando a possibilidade de aparecer alguém vindo embaixo daquele guarda-chuva que passava no entanto sem entrar no prédio.

Já é Natal porque muitos natais já se passaram, os da infância se arrastando, ah meu Deus agora só no ano que vem, os da juventude tão depressa, as férias voaram num minuto, e os da velhice, esse sopro que passa veloz, mas deixa sempre a ameaça de parar um dia.

Sim, já é Natal pois vultos de anjos que adejam, magos que seguem o rastro de uma estrela, e o presepe, o burro, a manjedoura, os indícios materiais do evento. Não há como fugir desse menino-símbolo, desse deus que criamos e sacrificamos, desse apelo ao invisível, desse desesperado aceno ao inalcançável.

Já é Natal porque em meio a tanta incerteza, decepção, angústia, desse grito agudo da miséria humana, dessa incapacidade de um gesto, de uma ação, só nos resta a esperança de um milagre, e tudo nos projeta em direção do divino transcendente. Uma luz há de nascer. Natal é luz.

FELIZ NATAL! E ANO NOVO MAIS AINDA!

Como sempre no Natal, a Gaveta entrará em recesso por uns tempos, devendo regressar depois do Carnaval. Mas sem fechar as portas, que continuarão abertas de par em par aos nossos leitores que poderão escarafunchar à vontade e aproveitar para ler os artigos mais longos. Também este ano ilustramos o post com uma pintura a óleo de um dos componentes da associação “Pintores com a Boca e os Pés”, que todos os anos editam uma série de belíssimos cartões postais executados por eles. Merecem o seu apoio pelo esforço e a qualidade de seus trabalhos (tel. (11) 5053-5100 ou www.apbp.com.br).

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HOMENAGEM PÓSTUMA

Querido irmão, Ney Julião: mais um Natal sem tua voz, mais um Natal sem teu abraço. Éramos dois, éramos nós; hoje sou eu, um só que faço esta oração saudosa e triste para que a ouças lá no espaço onde tu’alma inda persiste.

A Câmara Municipal de Ervália-MG, na pessoa de seu presidente, o vereador Helder Souza Mattos, prestou uma bela e justa homenagem ao Prof. Ney Julião Barroso, dando seu nome à Sala de Estudos da Biblioteca Municipal daquele município, para a qual o homenageado colaborou com  a doação de cerca de 5.000 volumes de caráter didático.

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bolo

Inaugurada em 25 de julho de 2010, a Gaveta estaria completando hoje o 6º aniversário, mas – para efeitos de aposentadoria – ela só tem, na verdade, menos de cinco anos de funcionamento efetivo. Uma decisão in extremis levou-nos a interromper sua publicação entre 23 de junho de 2014 e 10 de fevereiro de 2016, ou seja, um lapso de cerca de um ano e meio. Para minha íntima satisfação, verifiquei, pelas estatísticas, que a Gaveta não deixou de ser visitada um só dia durante aquele longo período. Isto me convenceu de que tenho alguns seguidores fieis e de que, se sempre escrevi estas notas para o “meu secreto prazer” (como diria Gide), elas também despertam o interesse ou a benevolência de um singelo número de leitores. Vez por outra (confesso que gostaria fossem muito mais frequentes!), esses leitores-amigos deixam pequenas notas e comentários que servem de estímulo e inspiração para o prosseguimento deste trabalho, sobre a utilidade do qual sempre levantei dúvidas. E aproveito este papo informal para dizer que às vezes me surpreendo com a reação dos leitores.  Ainda pelas estatísticas, o post mais visitado até hoje (alguns milhares de consultas, cerca de uma dezena cotidianamente) é a minha tradução de “Eu canto o corpo elétrico”, de Walt Whitman. Tenho grande admiração pela poesia desse gigante americano e, por isso mesmo e pensando nos leitores, publiquei recentemente a tradução de outro de seus célebres poemas, “Eu ouço a América cantando ”, devidamente acompanhado de seu epígono negro, o “Eu também canto a América”, de Langston Hugues. Mas, para minha surpresa, esse novo post foi escassamente consultado pelos leitores e nele jamais deixaram um simples “gostei!”. Que pena! Seria tão bom se eu pudesse saber o que os leitores procuram ou gostariam de encontrar nesta Gaveta…

Como das outras vezes, faremos um pequeno recesso após o aniversário, mas o de agora será realmente curto, de no máximo três semanas. Como sempre, a Gaveta continuará aqui aberta à visitação e desde já lhes deixo um grande e extenso artigo de consolação, que irá requerer várias consultas: “As Quatro Meninas”, peça teatral surrealista de Picasso, com seis longos atos, cuja leitura levará certamente algum tempo para ser feita. Até breve.

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(mais uma historinha só para divertir)

confessa

Seu Carlino era viúvo, não tinha filhos e criava galinhas no pequeno quintal, onde havia um casebre que a mãe, ao morrer, lhe deixara. Religioso de coração e alma, não saía da igreja, e confessava pelo menos uma vez por dia. Monsenhor, o vigário, não cansava de dizer: “Ó Carlino, isto não é pecado.Vai cuidar de suas galinhas!” Elas eram sua fonte de renda, pois, com a venda de ovos e, de quando em quando, de uns frangos da ninhada, é que o pobre ia levando a vida.

Num domingo, resolveu abrir-se no confessionário: “Seu Padre, vou me suicidar!” e, ante o espanto do vigário, se justificava: “Estou velho e só penso em morrer para entrar no paraíso e estar à direita de Deus Padre!  Sou um homem de bem, não tenho pecados e decerto irei para o céu”.

Seu Padre advertia: “Não seja louco, homem. A religião é contrária ao suicídio. Se você se matar, vai é para o inferno. Tira isso da cabeça e reze vinte ave-marias por penitência deste grave pecado”.

Carlino se resignava, mas a ideia não lhe saía da cabeça: trocar a existência inútil que levava para usufruir a bem-aventurança da vida eterna. Tudo se resolveria com um acidente, uma facada no peito ou um trago de veneno. Deus não podia ser injusto com ele, estava cansado da vida, queria o descanso dos céus. Certamente a religião estava errada em não admitir o suicídio.

Um dia, decidiu-se: “Seu Padre, vai ser hoje. Olha aqui: até já comprei a lata de formicida: uma boa dose e logo estarei na presença de Deus”!

Monsenhor tentou arrancar-lhe da mão a lata do veneno. Como Carlino resistisse, o padre teve um arroubo de fúria e lhe gritou:

“Seu Carlino, não seja idiota. Não vê que essa história de céu não existe, que a gente morre e acabou?! Que tudo não passa de uma invenção da Igreja para manter a fé? Reino de Deus, vida eterna, recompensa dos céus, tudo isto é bobagem, patranha para iludir os crentes. Depois da formicida o que virá é a cova rasa e a podridão. Larga essa lata!”

Carlino estava estarrecido. Nunca ouvira tal imprecação da boca de Monsenhor, que em suas prédicas dominicais, sempre exaltava a glória do Senhor, a ressurreição da carne, a vida eterna, amém. Diante da expressão firme e dura do padre, ainda titubeou: “O senhor está falando sério? É tudo mentira?” “Tudo, tudo. Se vivo dizendo o contrário é que sei que não existe o Inferno para onde eu iria por ter jurando em falso”.

Carlino entregou a lata ao padre, olhando para ele profundamente consternado: o homem devia estar fora de si, que Deus o perdoe!  E saiu da igreja cabisbaixo, atarantado.  Na dúvida, foi tratar de suas galinhas.

Monsenhor, refeito da convulsão, olhou para o altar: “Perdão, Senhor! Mas foi a única maneira de salvar a vida desse miserável”!

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JÁ É NATAL

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A GAVETA DESEJA AOS SEUS AMIGOS E VISITANTES UM NATAL
TRANQUILO E UM ANO NOVO CHEIO DE ESPERANÇAS E BELAS
REALIZAÇÕES. ESTAREMOS, COMO DAS OUTRAS VEZES , EM RECESSO TEMPORÁRIO, MAS A GAVETA CONTINUARÁ SEMPRE ABERTA AOS VISITANTES,
VOLTAREMOS NO DIA 13 DE FEVEREIRO, APÓS O CARNAVAL.

(Este belo cartão de Natal acima foi pintado com a boca por Carlos Fernando Ayala Moreno, membro da associação Pintores com a Boca e os Pés, que congrega artistas deficientes dos membros superiores.
Eles editam todos os anos belos calendários e cartões de Natal.
Ajude-os adquirindo seus produtos:
Rua Tuim, 426 – CEP 04514-101 – São Paulo-SP)
(11) 5053-5100 e fax 5051-0797

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PRECE AO NEY

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Querido irmão, seja onde quer que estejas, no céu, numa galáxia além no espaço, ouve meu pranto, sente meu abraço; quero que me vejas e sintas o vazio em que às vezes me encontro na procura de um sentido para as glórias da vida e seus revezes. Que pena teres desaparecido: é natal e não tenho o teu amparo, os teus votos de feliz aniversário, o teu sorriso claro mesmo ao telefone (algo que me foi sempre necessário). Falta-me a tua voz, o timbre amigo, algo que acione em mim uma esperança, algum empenho que já não trago mais comigo. Mais um natal sem tua voz, mais um natal que não te tenho. Éramos dois, éramos nós. Hoje sou eu, um só que espera, um só que insiste em que ouças minha voz numa outra esfera onde o teu claro espírito resiste.

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Convite


 

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niver25/07/2015, 5º Aniversário da Gaveta.

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4 anos

 

QUARTO ANIVERSÁRIO

A Gaveta estaria completando quatro anos hoje. Habitualmente após cada aniversário, costumávamos entrar num período de recesso cuja extensão variava de acordo com as conveniências. Eram paradas extemporâneas, sem outros motivos que a preguiça literária ou alguma pequena indisposição de espírito. Mas nunca tinham uma causa específica e sempre acabávamos voltando. Desta vez, no entanto, um profundo pesar nos levou a encerrar as postagens cerca de um mês antes do aniversário. E a parada de agora está nos parecendo um tanto definitiva…

Durante quatro anos fomos visitados por mais de 120 mil leitores e sabemos que boa parte deles continuará nos acessando, relendo postagens antigas ou pesquisando assuntos que a princípio lhes teriam passado despercebidos. Esperamos que essas visitas continuem sem a necessidade de novas publicações, permitindo assim que a Gaveta ainda sobreviva por um tempo…

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