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Archive for the ‘BlockNotes’ Category

Caro Amigo/Amiga,

Se você é leitor da Gaveta e mora no Rio, esta é uma bela oportunidade de nos conhecermos: estou lançando meu livro de memórias, Breviário de Afetos, no dia 1º de dezembro, a partir das 19 horas, na Livraria Travessa, do Shopping Center do Leblon. Estou certo de que muitos de meus amigos e parentes irão prestigiar o evento, e nessa ocasião poderei rever alguns e me confraternizar com eles. Seria, no entanto, uma bela surpresa se, entre as pessoas que lá estiverem, surgir você, que até então eu não conhecia, dizendo: Eu sou fulano, leitor da Gaveta, vim conhecê-lo pessoalmente.  E eu lhe agradeceria com um abraço, prometendo que a Gaveta vai continuar.

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A CAPA DO LIVRO

Eis o argumento apresentado pela artista-gráfica Valquíria Palma à SESI-Editora para criar a capa do livro “Breviário de Afetos”:

Para encontrar uma unidade temática, acerca do que seria o ato de “revisitar a memória”, o caminho foi a imagem que ficou um pouco ao final da leitura do livro. 

A imagem de um barco navegando na correnteza da memória, tentando reter tudo o que passou. Na minha análise (bastante subjetiva, eu sei), o Ivo Barroso está guiando o bote da memória, em busca de eternizar fragmentos que viu/viveu ao longo de sua vida como tradutor, como poeta, como crítico, como ser humano.

Quando fiz a pesquisa, quis brincar com essa noção de tempo, com tudo o que ele pode nos dar e nos tirar. Como a água – do mar, dos rios – que aparentam estar sempre no mesmo lugar, mas nunca são as mesmas.

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CONVITE

A Gaveta do Ivo convida todos os seus leitores e amigos para o lançamento do livro BREVIÁRIO DE AFETOS no dia 1º de dezembro próximo, a partir das 19 horas na Livraria da Travessa, no Shopping Center do Leblon. Venha e traga seus amigos. O autor terá muita alegria em conhecê-los pessoalmente.

Os leitores acostumados a encontrar a assinatura de Ivo Barroso em algumas das melhores traduções de prosa e verso publicadas no Brasil seriam capazes de jurar que o tradutor mineiro verte textos com a facilidade de quem observa pássaros – no que não poderiam estar mais enganados. Nascido a 25 de dezembro de 1929 em Ervália, a 265 km de Belo Horizonte, Ivo do Nascimento Barroso é tradutor laborioso, incansável, mas não só. Como se vê nas memórias aqui reunidas, o também poeta, ensaísta e crítico literário dedicou-se a diversas frentes ao longo da carreira, como mesmo rigor dispensado à tradução (esforço reconhecido inclusive com três Jabutis, um recebido em 1992 pela tradução de Os Gatos, de T. S. Eliot, outro em 1998 pelo trabalho com a prosa poética do francês Arthur Rimbaud, e em 2016 pela tradução interlingual do Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente publicado pela SESI-SP Editora). Assim, ainda que causem algumas surpresas pelas “revelações” que contêm, os textos deste Breviário de Afetos não constituirão necessariamente um choque para o leitor: serão, antes de tudo, um comovente testemunho de vida, de um percurso consagrado ao melhor da criação literária.

Os Editores

Este Breviário de Afetos é composto por crônicas memoráveis que visitam encontros, desde os corriqueiros aos mais inusitados, com grandes nomes de nossa cultura, tais como:

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Cronologicamente, a Gaveta estaria completando hoje sete anos de publicação. Sete anos! Sete, número cabalístico. Deus criou o mundo em sete dias. Sete são os pecados capitais. Sete os dias da semana. Sete as maravilhas do mundo. Sete os sábios da Grécia. As virtudes humanas. São sete as propriedades da matéria. Sete as notas da escala diatônica. As sete cores do arco-íris. Os sete braços da menorah. E eram sete os anões da Branca de Neve. Se quisermos prosseguir, podemos entrar no campo das expressões em que aparece a palavra sete, como pintar o sete, botas de sete léguas, cova de sete palmos. Nem vale a pena apelar para o setestrelo, pois são poucos os dicionários que o consignam.

Como o Senhor descansou no sétimo dia, seria o caso de achar que já trabalhamos o suficiente, que nossa missão pode ser dada por cumprida…  Dar adeus aos nossos queridos leitores… Mas, não, vamos comemorar este sétimo aniversário apenas fechando a gaveta por sete semanas; isto, não se assustem, sete semanas, pouco mais que um mês e meio de merecidas férias e logo voltaremos quem sabe até com fôlego de sete gatos.

Brincadeira à parte, despedimo-nos hoje dos leitores com – para nós — a definitiva consagração do número sete em literatura: este imortal soneto de Camões, uma joia literária perfeita, da qual nada se pode tirar nem acrescentar:

Sete anos de pastor Jacó servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
mas não servia ao pai, servia a ela,
e a ela só por prêmio pretendia.

Os dias, na esperança de um só dia,
passava, contentando-se com vê-la;
porém o pai, usando de cautela,
em lugar de Raquel lhe deu a Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos
assim lhe era negada a sua pastora,
como se não a tivera merecida,

começou a servir outros sete anos,
dizendo: Mais servira, se não fora
para tão longo amor tão curta a vida!

 

 

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UM ANDARILHO DENTRO DE CASA

 

Meu conterrâneo de Ervália-MG, MILTON REZENDE, grande poeta com nove livros publicados, acaba de lançar este Um Andarilho Dentro de Casa, em que registra sua extraordinária capacidade de fazer “poesia factual”, nascida de sua própria experiência. Milton acaba de passar por uma grande provação, ficando entre a vida e a morte em decorrência de uma operação que se agravou. A cabeça sempre lúcida, os sentidos cada vez mais aguçados, regressa ele agora ao mundo da poesia trazendo o substrato de sua vivência, a sua descida ao inferno existencial. Mas o faz serenamente, sem estardalhaço, com a mestria de quem realmente atravessou a vida como um andarilho do sonho.

Ao receber o livro, escrevi para ele:

Que beleza este seu livrão!!! Um Andarilho dentro de casa – poesia forte, pessoal, cheia de fúria e som como em Shakespeare. Você atingiu o máximo de sua capacidade de expressão poética, pois conseguiu fazer poemas extremamente fortes sem um mínimo de sentimentalismo nem autopiedade.  Pura experiência pessoal transposta para a Poesia.

Coisa rara, meu caro. Você merece o prêmio do reconhecimento de seus leitores e o abraço apertado aqui do seu conterrâneo Jubiloso.

Ivo

P.S. Os 3 poemas finais de o Ultimo Poema são simplesmente antológicos.

 

Caro leitor de meu blog, se você gosta de poesia (poesia séria e não babaquice melosa) adquira este livro, encomende-o pelo e-mail: milton.rezende@yahoo.com.br

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Leitor cativo da Gaveta, já correspondente contumaz e amigo, me escreve entre pressuroso e inquieto para perguntar o motivo de eu ter traduzido o verso “Pensar que no la tengo. Sentir que la he perdido”, por “Pensar que não a tenho. Sentir tê-la perdido”, do famoso poema de Neruda, Posso escrever os versos mais tristes esta noite, se qualquer pessoa, com um mínimo conhecimento do espanhol, poderia ler facilmente – Pensar que não a tenho. Sentir que a perdi?

A explicação é simples: neste caso, por causa da métrica e da rima. Desculpem se, com a série de minudências técnicas que se seguem, possa eu cansar o leitor que não esteja diretamente interessado nisto. Mas vejamos: Este sentido poema de amor de Pablo Neruda – Posso escrever os versos mais tristes esta noite — já foi mil vezes traduzido e circula adoidado na Internet. É que, nele, as palavras do original são tão parecidas com as nossas que se tem a impressão de que basta trocar umas pelas outras para se ter uma perfeita tradução do poema.

Mas, do ponto de vista formal, não é bem assim, pois um poema obedece a alguns critérios que às vezes fogem ao leitor comum, como por exemplo a métrica. Um poema, em geral, obedece a um determinado número de sílabas métricas, o que determina seu ritmo, o compasso do verso. No caso deste, e de outros poemas semelhantes de Neruda, ele utilizou o alexandrino espanhol, que equivale a um verso composto por dois hemistíquios (metade de um verso) de 6 sílabas cada um, como veremos:

Pue/ do es/cri/bir/ los/ ver/ sos/ mas/ tris/tes/ es/ta/no/(che)

1       2    3     4    5     6      //       1      2   3    4    5    6

[O alexandrino espanhol difere do nosso que considera como tal apenas o verso composto de 12 sílabas métricas, com ou sem cesura. Cesura é o corte do verso na sexta sílaba. Quando essa sexta sílaba termina por palavra oxítona, o sétimo tanto pode começar por vogal quanto por consoante.  Mas se termina em vogal, para que se conservem as 12 sílabas, é necessário que a palavra seguinte (7ª. sílaba) também comece por vogal ensejando a elisão (junção de 2 vogais). Como se sabe, a contagem das sílabas métricas se dá somente até a última sílaba tônica].

 

Se a tradução pretende, como fiz, manter a mesma métrica espanhola (6 + 6), o primeiro verso vai corresponder exatamente:

Po/sso  es/cre/ver/ os/ ver/sos/ mais/ tris/tes/ es/ta/ noi/(te)

1       2      3     4     5    6             1      2   3    4   5      6

 

Mas nem sempre isto acontece. Temos, logo em seguida: El/ vien/to/ de/ la/ no/(che)/ gi/ra/ en/el/ cie/ lo  y/ can/(ta), com o primeiro hemistíquio que teria em português apenas 5 sílabas métricas: O/ ven/to /da/ noi/(te) etc. Quando isto ocorre, o tradutor ortodoxo procurará uma forma de alongar o verso em mais uma sílaba: Gira o vento da noite pelos céus e canta, recomposição obtida aqui com uma simples transposição de termos sem alterar em quase nada a frase. Mas, em outros momentos, essa recomposição se torna um tanto difícil. (Abstenhamo-nos de exemplos, que o leitor já terá entendido).

O outro aspecto a considerar é a rima. Os versos deste poema obedecem a rimas toantes (habituais em espanhol, em que apenas as vogais da palavra se igualam. Assim: quiso (i-o) e infinito (i-o) rimam entre si, bem como as outras: fijos, perdido, rocío, conmigo, mismos, oído, infinitos, olvido, perdido e escribo). Por este motivo foi que tive de alterar o verso citado pelo nosso caro missivista: Pensar que não a tenho. Sentir que a perdi, porquanto a palavra perdi não rima (rima espanhola, é claro) com rocio, palavra aliás que tive de manter para efeito de rima, mas que, em outras circunstâncias, eu teria mudado para esquecimento. O mesmo aconteceu com o verso final em que tive de sacrificar o “lhe escrevo” (que não tem “i” em português), trocado por “lhe dedico” para obter a rima i/o.

Entendo perfeitamente a objeção do meu contumaz e sensível leitor: estas imposições técnicas podem alterar às vezes a naturalidade e a concisão dos versos e, por isso, para satisfazer-lhe a vontade, faço em seguida a tradução do mesmo poema como se estivesse escrito em prosa e, portanto, isento dos ditames da métrica e da rima:

 

Poema XX

 

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.

Escrever, por exemplo: “A noite está estrelada,

E tiritam, azuis, os astros à distância”.

O vento da noite gira no céu e canta.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.

Em noites como esta, a tive entre meus braços.

Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.

Ela me quis, às vezes eu também a queria.

Como não haver amado seus grandes olhos fixos.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.

Pensar que não a tenho. Sentir que a perdi.

Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.

E o verso cai na alma como no campo o rocio.

Que importa se meu amor não pudesse guardá-la.

A noite está estrelada e ela não está comigo.

Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.

Minha alma não se contenta em havê-la perdido.

A fim de aproximá-la, meu olhar a busca.

Meu coração a busca, e ela não está comigo.

A mesma noite que faz branquear as mesmas árvores.

Nós dois, os de então, já não somos os mesmos.

Já não a quero, é certo, mas quanto que a queria.

Minha voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.

De outro. Será de outro. Como antes era de meus beijos.

Sua voz, seu corpo claro. Seus olhos infinitos.

Já não a quero, é certo, mas talvez a queira.

É tão curto o amor e tão longo o esquecimento.

Porque em noites assim eu a tive em meus braços,

Minha alma não se contenta com havê-la perdido.

Embora esta seja a última dor que ela me cause

E estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.

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