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Archive for the ‘BlockNotes’ Category

Desculpem os leitores se repito este ano as palavras que escrevi em 2016 para lhes desejar um Feliz Natal. Reli-as agora e senti que me invadia uma emoção antiga, a volta ao aniversariante que sofria nas noites de chuva do Herval com a ausência dos amigos, sofrimento que as compensações caseiras e as alegrias gustativas não conseguiam minorar. Repito-as agora por me fazerem bem e por sentir que aquela ausência é hoje compensada pelo convívio virtual com as dezenas de amigos que adquiri ao longo destes anos em que venho mantendo esta Gaveta. Que todos tenham, pois, como, eu um Natal repleto de calor humano (mesmo quando virtual).

Como sempre no Natal, a Gaveta entrará em recesso por uns tempos, devendo regressar depois do Carnaval. Mas sem fechar as portas, que continuarão abertas de par em par aos nossos leitores que poderão escarafunchar à vontade e aproveitar para ler os artigos mais longos. Também este ano ilustramos o post com uma pintura a óleo de um dos componentes da associação “Pintores com a Boca e os Pés”, que todos os anos editam uma série de belíssimos cartões postais executados por eles. Merecem o seu apoio pelo esforço e a qualidade de seus trabalhos (tel. (11) 5053-5100 ou www.apbp.com.br).

 

JÁ É NATAL!

Já é Natal porque a gente ouve uns sinos que tocavam longe na nossa infância, na noite que estava sempre enevoada, as pessoas indo para a missa do galo que procurávamos em nosso quintal onde nunca tinha havido um galo. E um certo corre-corre dos lados da cozinha, a preparação da ceia, as velas que estavam escondidas no étager, a presença indefectível de Geralda, pronta para se vestir de Papai Noel.  Sim, tudo já eram prenúncios, mas temíamos pelo dia 25, o do aniversário pois todo ano chovia, chovia forte e as mães não deixavam os meninos vir à festa. Ficávamos sozinhos, eu e meus irmãos, olhando o tempo através da vidraça, imaginando a possibilidade de aparecer alguém vindo embaixo daquele guarda-chuva, que passava sem no entanto entrar no prédio.

Já é Natal porque muitos natais já se passaram, os da infância se arrastando, ah meu Deus agora só no ano que vem, os da juventude tão depressa, as férias voaram num minuto, e os da velhice, esse sopro que passa veloz, mas deixa sempre a ameaça de parar um dia.

Sim, já é Natal pois vultos de anjos que adejam, magos que seguem o rastro de uma estrela, e o presepe, o burro, a manjedoura, os indícios materiais do evento. Não há como fugir desse menino-símbolo, desse deus que criamos e sacrificamos, desse apelo ao invisível, desse desesperado aceno ao inalcançável.

Já é Natal porque em meio a tanta incerteza, decepção, angústia, desse grito agudo da miséria humana, dessa incapacidade de um gesto, de uma ação, só nos resta a esperança de um milagre, e tudo nos projeta em direção do divino transcendente. Uma luz há de nascer. Natal é luz.

FELIZ NATAL! E ANO NOVO MAIS AINDA!

 

***

 PROMESSAS DE FIM DE ANO

Como havíamos prometido num quase esquecido post de 15.03.2014 (’Poetas Esquecidos”), estamos planejando, para a volta definitiva da Gaveta, logo após o Carnaval, a criação de um setor permanente destinado à divulgação da poesia brasileira. Entendemos que a atual facilidade dos meios de comunicação ensejou uma certa barafunda entre os leitores quanto ao que se deva (ou possa) entender como sendo poesia. Não queremos bancar o sabereta, o magister dixit, mas a ideia é apresentar aqui exemplos do que, a nosso ver, consideramos poemas dignos de ser conhecidos ou reconhecidos dentro dos padrões habituais e conceptuais da arte. Já imaginamos duas seções diferentes: uma em que procuraremos trazer aos leitores de hoje aqueles poetas que, em nossa formação literária, eram considerados padrões do bom gosto    estético e do bem fazer poético; outra, será uma curiosidade: apresentar aos leitores poetas cujos nomes extravagantes de certa forma os tornaram “casos especiais” de nossa literatura. Referimo-nos por exemplo a vates  como Zeferino Perneta ou Judas Isgorogota, cujos nomes estranhos não os impediram de produzir belos momentos poéticos, os quais iremos mostrar em nossas duas antologias permanentes (ou seja, elas sairão em todos os posts seja como matéria principal seja como simples anexo.)

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Caro Amigo/Amiga,

Se você é leitor da Gaveta e mora no Rio, esta é uma bela oportunidade de nos conhecermos: estou lançando meu livro de memórias, Breviário de Afetos, no dia 1º de dezembro, a partir das 19 horas, na Livraria Travessa, do Shopping Center do Leblon. Estou certo de que muitos de meus amigos e parentes irão prestigiar o evento, e nessa ocasião poderei rever alguns e me confraternizar com eles. Seria, no entanto, uma bela surpresa se, entre as pessoas que lá estiverem, surgir você, que até então eu não conhecia, dizendo: Eu sou fulano, leitor da Gaveta, vim conhecê-lo pessoalmente.  E eu lhe agradeceria com um abraço, prometendo que a Gaveta vai continuar.

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A CAPA DO LIVRO

Eis o argumento apresentado pela artista-gráfica Valquíria Palma à SESI-Editora para criar a capa do livro “Breviário de Afetos”:

Para encontrar uma unidade temática, acerca do que seria o ato de “revisitar a memória”, o caminho foi a imagem que ficou um pouco ao final da leitura do livro. 

A imagem de um barco navegando na correnteza da memória, tentando reter tudo o que passou. Na minha análise (bastante subjetiva, eu sei), o Ivo Barroso está guiando o bote da memória, em busca de eternizar fragmentos que viu/viveu ao longo de sua vida como tradutor, como poeta, como crítico, como ser humano.

Quando fiz a pesquisa, quis brincar com essa noção de tempo, com tudo o que ele pode nos dar e nos tirar. Como a água – do mar, dos rios – que aparentam estar sempre no mesmo lugar, mas nunca são as mesmas.

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CONVITE

A Gaveta do Ivo convida todos os seus leitores e amigos para o lançamento do livro BREVIÁRIO DE AFETOS no dia 1º de dezembro próximo, a partir das 19 horas na Livraria da Travessa, no Shopping Center do Leblon. Venha e traga seus amigos. O autor terá muita alegria em conhecê-los pessoalmente.

Os leitores acostumados a encontrar a assinatura de Ivo Barroso em algumas das melhores traduções de prosa e verso publicadas no Brasil seriam capazes de jurar que o tradutor mineiro verte textos com a facilidade de quem observa pássaros – no que não poderiam estar mais enganados. Nascido a 25 de dezembro de 1929 em Ervália, a 265 km de Belo Horizonte, Ivo do Nascimento Barroso é tradutor laborioso, incansável, mas não só. Como se vê nas memórias aqui reunidas, o também poeta, ensaísta e crítico literário dedicou-se a diversas frentes ao longo da carreira, como mesmo rigor dispensado à tradução (esforço reconhecido inclusive com três Jabutis, um recebido em 1992 pela tradução de Os Gatos, de T. S. Eliot, outro em 1998 pelo trabalho com a prosa poética do francês Arthur Rimbaud, e em 2016 pela tradução interlingual do Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente publicado pela SESI-SP Editora). Assim, ainda que causem algumas surpresas pelas “revelações” que contêm, os textos deste Breviário de Afetos não constituirão necessariamente um choque para o leitor: serão, antes de tudo, um comovente testemunho de vida, de um percurso consagrado ao melhor da criação literária.

Os Editores

Este Breviário de Afetos é composto por crônicas memoráveis que visitam encontros, desde os corriqueiros aos mais inusitados, com grandes nomes de nossa cultura, tais como:

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Cronologicamente, a Gaveta estaria completando hoje sete anos de publicação. Sete anos! Sete, número cabalístico. Deus criou o mundo em sete dias. Sete são os pecados capitais. Sete os dias da semana. Sete as maravilhas do mundo. Sete os sábios da Grécia. As virtudes humanas. São sete as propriedades da matéria. Sete as notas da escala diatônica. As sete cores do arco-íris. Os sete braços da menorah. E eram sete os anões da Branca de Neve. Se quisermos prosseguir, podemos entrar no campo das expressões em que aparece a palavra sete, como pintar o sete, botas de sete léguas, cova de sete palmos. Nem vale a pena apelar para o setestrelo, pois são poucos os dicionários que o consignam.

Como o Senhor descansou no sétimo dia, seria o caso de achar que já trabalhamos o suficiente, que nossa missão pode ser dada por cumprida…  Dar adeus aos nossos queridos leitores… Mas, não, vamos comemorar este sétimo aniversário apenas fechando a gaveta por sete semanas; isto, não se assustem, sete semanas, pouco mais que um mês e meio de merecidas férias e logo voltaremos quem sabe até com fôlego de sete gatos.

Brincadeira à parte, despedimo-nos hoje dos leitores com – para nós — a definitiva consagração do número sete em literatura: este imortal soneto de Camões, uma joia literária perfeita, da qual nada se pode tirar nem acrescentar:

Sete anos de pastor Jacó servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
mas não servia ao pai, servia a ela,
e a ela só por prêmio pretendia.

Os dias, na esperança de um só dia,
passava, contentando-se com vê-la;
porém o pai, usando de cautela,
em lugar de Raquel lhe deu a Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos
assim lhe era negada a sua pastora,
como se não a tivera merecida,

começou a servir outros sete anos,
dizendo: Mais servira, se não fora
para tão longo amor tão curta a vida!

 

 

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UM ANDARILHO DENTRO DE CASA

 

Meu conterrâneo de Ervália-MG, MILTON REZENDE, grande poeta com nove livros publicados, acaba de lançar este Um Andarilho Dentro de Casa, em que registra sua extraordinária capacidade de fazer “poesia factual”, nascida de sua própria experiência. Milton acaba de passar por uma grande provação, ficando entre a vida e a morte em decorrência de uma operação que se agravou. A cabeça sempre lúcida, os sentidos cada vez mais aguçados, regressa ele agora ao mundo da poesia trazendo o substrato de sua vivência, a sua descida ao inferno existencial. Mas o faz serenamente, sem estardalhaço, com a mestria de quem realmente atravessou a vida como um andarilho do sonho.

Ao receber o livro, escrevi para ele:

Que beleza este seu livrão!!! Um Andarilho dentro de casa – poesia forte, pessoal, cheia de fúria e som como em Shakespeare. Você atingiu o máximo de sua capacidade de expressão poética, pois conseguiu fazer poemas extremamente fortes sem um mínimo de sentimentalismo nem autopiedade.  Pura experiência pessoal transposta para a Poesia.

Coisa rara, meu caro. Você merece o prêmio do reconhecimento de seus leitores e o abraço apertado aqui do seu conterrâneo Jubiloso.

Ivo

P.S. Os 3 poemas finais de o Ultimo Poema são simplesmente antológicos.

 

Caro leitor de meu blog, se você gosta de poesia (poesia séria e não babaquice melosa) adquira este livro, encomende-o pelo e-mail: milton.rezende@yahoo.com.br

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