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Archive for novembro \30\UTC 2012

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Durante o recesso, a Gaveta recebeu muitos livros, sobre alguns dos quais faço registro nesta oportunidade.

Estante

SOBRE 50 LIVROS (BRASILEIROS/CONTEMPORÂNEOS) QUE EU GOSTARIA DE TER ESCRITO

O GRANDE W.J. Solha, grande em todos os sentidos, grande poeta, grande escritor, grande pintor, grande crítico literário – e agora também grande ator (“O Som ao Redor” e “Era uma vez eu, Verônica”) acaba de acrescentar mais um grande às suas qualidades – grande publicitário da obra alheia. Num momento em que os escritores, em geral, estão só falando de si mesmos, Solha nos manda este livro erudito e interessante em que exalta os valores literários de autores, alguns só regionalmente conhecidos. Além do mais, o autor dispõe exemplares gratuitos a quem os solicitar (wjsolha@superig.com.br). Grande, grande.

CANTOS DE CONTAR – ALBERTO DA CUNHA MELO

Organizado por sua viúva, Claudia Cordeiro, este livro reúne uma seleção de poemas das fontes primeiras do premiado poeta falecido em 2007, além de uma coleção de seus desenhos quase todos inéditos. Alberto é um dos nomes mais representativos da grande poesia brasileira e merece ser conhecido por todos aqueles que se interessam por isto. Oportunamente divulgaremos alguns de seus poemas aqui na Gaveta.

O SENHOR DAS MATEMÁTICAS – MARIA CARPI

A autora é reconhecidamente um dos grandes nomes da literatura gaúcha e surpreende seus leitores com estes poemas em prosa nos quais analisa seus sonhos, os de fato sonhados e não os da imaginação, conseguindo transformar em realidade legível, quase palpável, a matéria de que são feitos.

DE VIVA VOZ – ANDERSON BRAGA HORTA

Mais um belo livro de versos do excelente poeta mineiro radicado em Brasília. Gostaríamos de transcrever aqui o belo poema Bríndisi, que se compõe de nove quadras, sendo a primeira esta pérola: “O copo sobre a mesa,/ No seu cristal cintila/ a dupla natureza/ de matéria e de espírito”. Mas deixemos ao leitor saboreá-lo inteiro.

TEXTOS E ENSAIOS – MILTON REZENDE

Meu conterrâneo (de Ervália) o poeta Milton Rezende mostra neste livro que domina igualmente o ensaio, o conto curto, a reflexão. Esses artigos trazem como adendo os Pensamentos da Juventude, uma série de frases de espírito que classificam Milton como um dos nossos melhores witticists. Vejam estas: “A omissão implícita é pior do que a recusa delkiberada.” “Eu também sou um Casanova. Só que mal sucedido.” O livro pode ser adquirido pelo e-mail: Milton.rezende@yahoo.com.br.

DIGNIDADE – MARIO VARGAS LLOSA E VÁRIOS AUTORES

Nove histórias verídicas, relatos de visitas que seus autores fizeram a postos avançados do serviço Médicos sem fronteira, principalmente na África. Angustiante e comovente este livro dá uma imagem do que é o trabalho beneficente dessa instituição.

TEMPO DE MEMÓRIA – ROSALVO ACIOLI

Os ensaios e críticas encerrados neste livro atestam a seriedade e o conhecimento de causa com que os assuntos literários são tratados fora do eixo Rio-São Paulo. Rosalvo Acioli usa a abordagem literária não para um display momentâneo de leitor apressado mas para uma verdadeira anatomia do conteúdo e da estilística dos autores que estuda. Um livro co,mo raramente vemos por aqui, onde obras medíocres do gênero são amplamente trombeteadas.

O RIO – ARLETE NOGUEIRA DA CRUZ

Este rio da Arlete é muito mais que um rio e por ele, aquém e além dele, escorre e sutiliza-se a memória de sua infância e de seus antepassados, numa escrita que, sempre poética, beira amiúde o poema em prosa. Bela edição com ilustrações de Péricles Rocha.

PREFÁCIO ÁS OBRAS COMPLETAS DE CHARLES BAUDELAIRE – THÉOPHILE GAUTIER

A mais recente tradução do recifense Milton Lins, laureado pela Academia Brasileira de Letras com o prêmio de tradução de 2010.

CARTAS A NORA – JAMES JOYCE

O elegante casal literário Dirce Waltrick do Amaral (As Antenas do Caracol) e Sérgio Medeiros (Totens), ambos professores da Universidade de Santa Catarina, brindam seus entusiásticos leitores com mais uma façanha, a da tradução das famosas cartas de James Joyce dirigidas a Nora Barnacle, sua companheira de sempre. Tradução rigorosa em que foi preservada a linguagem às vezes abertamente rude de Joyce, o que representa séria dificuldade para os tradutores, mas no caso, sendo ambos versados na obra de Joyce, essa correspondência adquiriu em português toda a pujança que ostenta no original.

MEU LIVRO IMPACTANTE

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Sofri, com a voracidade das leituras juvenis, grandes impactos e perturbações: passar de Alexandre Dumas a Dostoievski implica saltar da simples sucessão de lances aventurosos para um mergulho nos meandros da consciência e da análise do comportamento humano. As reformulações se faziam necessárias.
Mas o livro que mais me impactou, no sentido de modificar definitivamente o meu conceito de literatura, foi um livro de versos –  a poesia de A Rosa do Povo – que eu li aos 16 anos, em sua primeira edição de 1945. Eu era, nessa época, um poeta em tempo integral, diarista assíduo, com uma boa centena de versos acumulados em dois cadernos batidos à máquina. Em geral versos românticos, adeuses a amadas hipotéticas, a habitual ruminação de velhos temas cediços. Meu gosto pela poesia se formara com a proximidade familiar  das coleções Jackson, com Machado de Assis e Humberto de Campos, até que descobri Augusto dos Anjos que me fez percorrer caminhos de asperidades vocabulares e temas abscônditos. Mas voltei à direta via com a Luz Mediterrânea de Raul de Leôni.
Um dia dou com Drummond que me subverte, me fulmina, decretando minha falência como poeta; tudo o que eu havia escrito até então eram banalidades só (bem) rimadas e metrificadas. Aquela poesia nova, que os suplementos propalavam ser a grande voz da lírica brasileira, implodiu o poeta que eu era. A razia foi tão radical que esperneei. Escrevi a Drummond: como era possível que um poeta de sentimentos, que havia composto os versos de Consolo na praia, era capaz de escrever um poema sem pé nem cabeça como Áporo? E lhe mandava dois poemas meus: um bem sentimental e outro (imitação de Áporo) denominado Criptógamo, no qual ele achou “uma intenção mais sutil, expressa de maneira mais trabalhada. A morte do poeta moderno é um tanto declamatório e vão, puxado a discurso poético”, decretou. A partir daí, eu nunca mais faria poemas vazios; a verdadeira poesia exigia vivência, expressão pessoal. A influência foi tamanha que fiz um livro inteiro Canto urgente e outros poemas em que havia versos chapadamente drummonianos como Nos porões e nas repúblicas/ nas pensões e nos pardieiros/ o ar se tornava escasso/ e a noite era só propícia/ ao arranhado amor dos gatos. Em 2001, quando lancei meu livro de estréia, A Caça Virtual e outros poemas, fiz questão de excluir todos os resquícios, todos os ecos destorcidos de uma poesia que, me desestabilizando, ajudou-me a encontrar a minha própria voz.
(Publicado em Carta Fundamental – Cultura – nº de setembro de 2012 – pg. 61)

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Momento em que o palestrante fazia a entrega oficial da Coleção Rimbaud ao Centro Cultural Banco do Brasil, representado na cerimônia pelo seu diretor Luiz César Rossato.

TEOR DA PALESTRA

Para os leitores da Gaveta que não puderam comparecer ao evento e para aqueles que residem fora do Rio reproduzimos aqui as linhas gerais da palestra que ensejaram várias complementações de improviso.

A entrega oficial que faço nesta solenidade ao CCBB de minha coleção de livros de e sobre Rimbaud, e sobre os quais tecerei algumas considerações nesta palestra, foi precedida de outra manifestação que merece registro.

Precisamente neste mesmo dia 22 de novembro, em 1998, o CCBB abria suas portas para um evento que se denominou “Semana Rimbaud”, em homenagem ao 140º aniversário da data de nascimento do poeta de Charleville. Um belo estandarte com a imagem estilizada do poeta descia do topo da abóbada até quase o chão da pérgula deste Centro Cultural. Houve uma exposição bioiconográfica, documentando a trajetória de Rimbaud, desde suas primeiras incursões literárias até sua ida para o continente africano, incluindo reproduções de manuscritos, fotografias e livros; uma sala de exibição de slides e declamação de poemas em francês e em português, e duas conferências sobre a obra-vida do poeta e a experiência de traduzi-lo em português. Houve também o lançamento do segundo volume de suas obras completas – o Prosa Poética – editado naquele ano pela Topbooks, que já havia lançado dois anos antes o volume primeiro, das Poesias Completas. O CCBB resgatava, assim, de forma brilhante uma das figuras mais icônicas da poesia francesa – para não dizer universal –, afirmando com isto sua condição de divulgador cultural em todas as áreas.

Agora, transcorridos catorze anos daquele evento, o CCBB volta a festejar a figura do Poeta no momento em que coloca à disposição dos leitores em sua biblioteca a coleção de livros sobre a vida e obra de Rimbaud, que seu tradutor aqui presente vem de doar a esta instituição. São livros amealhados num espaço de tempo que remonta ao ano de 1954, quando levei ao editor do Suplemento Dominical do Jornal do Brasil uma tradução do Soneto das Vogais, que eu achara numa revista. Ele argumentou que o soneto já havia sido traduzido diversas vezes em português e que era melhor eu traduzir outro poema que fosse menos conhecido. Encontrei na livraria franco-italiana que funcionava na Faculdade de Filosofia, onde eu estudava, e onde é hoje a Maison de France, esta pequena antologia de suas obras organizada por Claude Edmonde-Magny, na coleção poètes d´aujourdhui, editada pela Pierre Seghers em 1952. Este livro foi a porta mágica que me introduziu ao mundo de Rimbaud. O achado, nele, de Une Saison en Enfer me transtornou de tal forma que passei a ler sistematicamente tudo o que pudesse encontrar sobre o poeta e sua obra. Quinze anos depois, em minha primeira ida a Paris, corri para as margens do Sena em busca dos famosos bouquinistas para adquirir, por 5 francos, aquela edição que era considerada a bíblia rimbaldiana dos estudantes pobres: o Poesies, das edições Aux Quais de Paris, de 1966, livro que me acompanhou por quase 50 anos em todos os lugares em que morei, até esta data em que irá ocupar uma estante da biblioteca deste Centro Cultural Banco do Brasil.

Em 1973 eu já me considerava um cultor da poesia de Rimbaud e possuía uma boa dezena de livros, inclusive a Obra Completa, editada por Antoine Adam para a Bibliothèque de la Pléiade em 1972. Então fui procurado pelo editor da Civilização Brasileira para que eu traduzisse a Saison. Ora, já havia duas traduções anteriores, publicadas no Brasil cerca de vinte anos antes. Mas o editor queria uma NOVA tradução e fazia questão de que os poemas entremeados na prosa do Poeta fossem traduzidos em versos equivalentes, rimados e metrificados, o que não ocorrera nas versões anteriores. E mais, que a tradução ficasse pronta naquele mesmo ano de 1973 para ser lançada em 1974, por ocasião do centenário de nascimento de Rimbaud. Em circunstâncias pouco favoráveis, pois me preparava naquele ano para ir morar no Exterior, acabei passando realmente por um inferno para traduzir, em pouco mais de um mês, aquele livro perturbador, definitivo, que inaugurava uma nova linguagem na poesia universal.

Aguardei em Lisboa, onde então morava, o lançamento da obra que estranhamente só ocorreu em 1977, quatro anos depois… Com uma segunda edição saída em 1983, animei-me com a boa acolhida daquela e convenci-me de que devia traduzir as poesias completas de Rimbaud, mas ainda que tivesse sérias hesitações quanto às Iluminações, que considerava intraduzíveis. E toca a comprar, a ler, a anotar tudo quanto era livro de e sobre Rimbaud que me aparecia pela frente.

Minha longa permanência no Exterior permitiu-me adquirir praticamente as obras fundamentais de que necessitava, tais como todas as edições das obras completas em francês: a da Pléiade, a da Garnier, Oeuvre-vie, de Alain Borer, 1991, e até a de Pierre Brunel, do Livre de poche. Mas não fiquei nas francesas, adquiri todas as edições completas italianas (quatro), as de línguas inglesa e espanhola, e até mesmo um volume Lyrik och prosa, traduções de Gunnar Ekelöf, em sueco, quando morei em Estocolmo, de 1983 a 1988. Aqui um intermezzo curioso: eu queria saber como o tradutor sueco tinha resolvido a famosa questão do “Je est un autre”, que tanto perturba os tradutores das línguas latinas. O impacto da frase está exatamente na violentação da conjugação verbal, com o sujeito na primeira pessoa e o verbo na terceira, como se Rimbaud quisesse dizer, na sua linguagem inédita e pessoal: Eu não sou eu, o que chamam de eu é um outro ser. Pois bem: minha decepção com o sueco é que naquela língua o verbo não tem flexão e tanto Je suis (eu sou) Je est (eu é) são equivalentes Ik är, ham är, como se conjugássemos eu é, tu é, ele é, nós é… (bom, os mineiros às vezes dizem assim).

Em seguida passei a me interessar pelas biografias: tinha todas as francesas (a mais importante das quais é a de Jean-Jacques Lefrère, que só saiu em 2001 pela Fayard), a pioneira da estudiosa irlandesa Enid Starkie, a primeira a tratar o assunto com técnicas bibliográficas atuais, ou seja, valendo-se de documentos e não da tradução oral, e bem assim a mais recente, Graham Robb, publicada em 2000. A biografia de Enid Strakie, que saiu originalmente em 1947, permaneceu por muito tempo a fonte biográfica mais rigorosa de Rimbaud para despeito dos estudiosos franceses que só foram traduzi-la 35 anos depois. Mas não abri mão das anteriores, a de Paterne Berrichon, cunhado de Rimbaud,; a do coronel Godchot (obra raríssima) que fará um verdadeiro panegírico ao pai de Rimbaud, e não ao filho, que vê com grandes restrições; as de Rolland de Renéville, a fantasiosa Vie aventureuse de Rimbaud, bem como as memórias de seu amigo Delhaye e de seu professor Izambard. No campo da crítica analítica comprei desde logo as obras de Etiemble, Le mythe de Rimbaud, em vários volumes, bem como as da chamada “crítica psicanalítica”, responsável pela decodificação dos significados ocultos de Rimbaud. Interessei-me pela personalidade de Vitalie Cuif, a mãe de Rimbaud, figura polêmica sobre a qual adquiri os três livros então existentes.

Quando morei na França em 1989-94, já estava decidido e começara a traduzir a poesia completa de Rimbaud. Vasculhava as livrarias e bouquinistas à cata de livros sobre a obra, não raro me embaralhando com os argumentos às vezes conflitantes que os críticos teciam a propósito de seus trabalhos. Um dia, na Société des Amis de Rimbaud, que eu freqüentava para ler as revistas especializadas e as críticas mais recentes, fiquei conhecendo Alain Borer, um dos maiores estudiosos da obra do infernal garoto de Charleville. Sabendo de minhas constantes pesquisas e de minha intenção de traduzir a obra completa de Rimbaud, deu-me um conselho: “Pare de ler, procure esquecer o que já leu, concentre-se no texto pois ali está a palavra final e vá em frente. Se não, você jamais traduzirá essa obra sobre a qual todos os dias sai alguma nova interpretação.” Assim fiz, em 1992 vim ao Rio com a poesia completa traduzida e acabei encontrando o editor da Topbooks, que com entusiasmo se prontificou a editá-la, o que fez em 1994, insistindo para que eu continuasse com a obra completa, o que fiz lançando o segundo volume – Prosa Poética – na Semana Rimbaud deste CCBB, quatro anos depois.

Faltava o terceiro e último volume – A Correspondência. Rimbaud, depois de compor as Iluminações, deve ter percebido, com sua aguda consciência crítica, que havia atingido o ápice da poesia, que não havia nada mais além senão a repetição, o espelho de si mesmo. E abandona definitivamente a poesia para tentar enriquecer-se comerciando na África. Há cerca de 25 cartas que escreveu durante a sua “vida literária” e mais de uma centena que da África dirigiu a seus “familiares”, estas totalmente destituídas de qualquer nuance estilística. Aos seus “Chers amis” (caros amigos), como chamava a mãe e a irmã, relata suas atividades comerciais, seus deslocamentos, suas explorações de territórios virgens, seus problemas financeiros, funcionais e seu desesperado esforço em amealhar ouro para voltar rico à França a fim de viver de rendas. São aparentemente cartas de pouco interesse mas muito reveladoras da personalidade de Rimbaud. Muni-me de vasto material livresco para bem traduzi-las: todos os livros existentes sobre sua permanência na África (a Correspondence 1888-1891, de Jean Voellmy, o Rimbaud – l´heure de la fuite, de Alain Borer, as Lettres de la vie littéraire, de Jean-Marie Carré, Rimbaud da Arábia, Rimbaud na Abissínia, Rimbaud à Aden, Rimbaud ailleurs, Un sieur Rimbaud se disant négociant (obra raríssima de Alain Borer). Mas a tradução se arrastava, interrompida, eu queria ler mais e mais, esquecido da lição que antes tivera. Mas eu sabia o porquê. Conhecendo bem a biografia (as biografias) de Rimbaud, sabia que mais cedo ou mais tarde haveria de chegar no momento dramático em que lhe amputam a perna cancerosa no Hospital de la Concepcion, em Marselha. E sua angônica travessia do Harar a Warambot numa liteira, transportado por dezesseis carregadores por 300 quilômetros de deserto. Como voltar a essas cartas e à que sua irmã escreve à mãe Vitalie narrando a agonia do poeta?!

O livro saiu finalmente em 2009, perfazendo a trilogia, no mesmo ano em que se publicava na França pela primeira vez a edição integral dessas cartas, organizada por Jean-Jacques Lefrère.

A partir de então, toda vez que me sentava diante do computador, eu tinha à minha frente duas longas prateleiras de livros de e sobre Rimbaud, a maior parte deles trazendo sua imagem na lombada. Eu ainda não estava isento de sua presença mesmo depois de ter, ao longo de tantos, anos me dedicado à missão de traduzir-lhe a obra integral.

Alguns daqueles livros eram verdadeiras raridades: o de Paterne Berrichon, o cuhado, com o título Jean-Arthur Rimbaud, Le Poete, trazia a data de 1912, ou seja tinha um século de existência e provavelmente já estava comigo havia meio século. O Album Zutique, fac-simile do famoso caderno em que os Villains Bonshommes, amigos de Rimbaud e Verlaine, consignavam seus improvisos sob a forma de versos ou desenhos e no qual Rimbaud colaborou inúmeras vezes, com suas iniciais e pseudônimos, atribuindo essas produções aos seus desafetos. A tiragem desse álbum foi reduzidíssima, o que representa além de sua importância eminentemente artística um inestimável valor pecuniário. O que seria feito deles quando os meus olhos já não os pudessem ver? Temendo por um destino menos glorioso, resolvi em bom momento doá-los à biblioteca do Centro Cultural Banco do Brasil. Foi no Banco que fiz minha carreira profissional, nele passei 37 anos de minha vida, em nenhum outro lugar os livros estariam mais seguros e desempenhando um melhor papel cultural, já que sua leitura seria franqueada a outros que, como eu, se interessassem pela obra sem par desse Jean-Arthur Nicolas Rimbaud. Neste momento, faço a entrega oficial de todos os meus livros, revistas especializadas, publicações várias, tapes, manuscritos, os originais datilografados de minha tradução, e vários outros documentos no total de 170 itens ao Centro Cultural Banco do Brasil, onde sei que serão guardados com o mesmo zelo com que até hoje os conservei.

Surpreendeu o número de jovens que acorreram à palestra, dela participando ativamente com perguntas que se prolongaram por cerca de 45 minutos após a locução.

Os leitores que assim desejarem poderão fazer perguntas sobre a obra de Rimbaud como se estivessem presentes à palestra. As respostas serão dadas aqui mesmo na Gaveta.

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CONVITE DA GAVETA

A GAVETA DO IVO CONVIDA SEUS LEITORES RESIDENTES NO RIO A ASSISTIREM À PALESTRA SOBRE OS LIVROS DE RIMBAUD QUE SERÁ PRONUNCIADA NO CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL, NA RUA PRIMEIRO DE MARÇO, ÁS 18;30 DO DIA 22.11, PRÓXIMA QUINTA-FEIRA

POR OCASIÃO DA ENTREGA OFICIAL DOS LIVROS DE RIMBAUD DOADOS PELO CONFERENCISTA À BIBLIOTECA DAQUELA ENTIDADE CULTURAL.

SERÁ NO 5º ANDAR DO CCBB-RIO E A ENTRADA É FRANCA. VENHAM.

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A GAVETA DO IVO VOLTA A ABRIR-SE NO DIA 25.11

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UM POEMA DE  JOSÉ ASSUNCIÓN SILVA (1865-18960),

COLOMBIANO, VERTIDO PARA O INGLÊS POR IVO BARROSO

 

LÁZARO / LAZARUS

 

Vem, Lázaro! – gritóle

el Salvador. Y del sepulcro negro
el cadáver alzóse entre el sudario,
ensayó caminar, a pasos trémulos,
olió, palpó, miró, sintió, dio um grito
y lloró de contento.
Cuatro lunas más tarde, entre las sombras
del crepúsculo escuro, en el silencio
del lugar y la hora, entre las tumbas
del antiguo cementerio,
Lázaro estaba sollozando a solas
Y envidiando a los muertos.

“Come, Lazarus, come with me”,
said the Master. And the dead body
arouse up and began to walk
with shaking steps.
Looked, touched, smelt, felt,
and cried for happiness.
Four moons later, in the shadows
of the night, in the silence
of the old cemetery,
among the graves,
Lazarus was alone, sobbing,
fully envious of the dead.

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