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Archive for dezembro \20\UTC 2017

Desculpem os leitores se repito este ano as palavras que escrevi em 2016 para lhes desejar um Feliz Natal. Reli-as agora e senti que me invadia uma emoção antiga, a volta ao aniversariante que sofria nas noites de chuva do Herval com a ausência dos amigos, sofrimento que as compensações caseiras e as alegrias gustativas não conseguiam minorar. Repito-as agora por me fazerem bem e por sentir que aquela ausência é hoje compensada pelo convívio virtual com as dezenas de amigos que adquiri ao longo destes anos em que venho mantendo esta Gaveta. Que todos tenham, pois, como, eu um Natal repleto de calor humano (mesmo quando virtual).

Como sempre no Natal, a Gaveta entrará em recesso por uns tempos, devendo regressar depois do Carnaval. Mas sem fechar as portas, que continuarão abertas de par em par aos nossos leitores que poderão escarafunchar à vontade e aproveitar para ler os artigos mais longos. Também este ano ilustramos o post com uma pintura a óleo de um dos componentes da associação “Pintores com a Boca e os Pés”, que todos os anos editam uma série de belíssimos cartões postais executados por eles. Merecem o seu apoio pelo esforço e a qualidade de seus trabalhos (tel. (11) 5053-5100 ou www.apbp.com.br).

 

JÁ É NATAL!

Já é Natal porque a gente ouve uns sinos que tocavam longe na nossa infância, na noite que estava sempre enevoada, as pessoas indo para a missa do galo que procurávamos em nosso quintal onde nunca tinha havido um galo. E um certo corre-corre dos lados da cozinha, a preparação da ceia, as velas que estavam escondidas no étager, a presença indefectível de Geralda, pronta para se vestir de Papai Noel.  Sim, tudo já eram prenúncios, mas temíamos pelo dia 25, o do aniversário pois todo ano chovia, chovia forte e as mães não deixavam os meninos vir à festa. Ficávamos sozinhos, eu e meus irmãos, olhando o tempo através da vidraça, imaginando a possibilidade de aparecer alguém vindo embaixo daquele guarda-chuva, que passava sem no entanto entrar no prédio.

Já é Natal porque muitos natais já se passaram, os da infância se arrastando, ah meu Deus agora só no ano que vem, os da juventude tão depressa, as férias voaram num minuto, e os da velhice, esse sopro que passa veloz, mas deixa sempre a ameaça de parar um dia.

Sim, já é Natal pois vultos de anjos que adejam, magos que seguem o rastro de uma estrela, e o presepe, o burro, a manjedoura, os indícios materiais do evento. Não há como fugir desse menino-símbolo, desse deus que criamos e sacrificamos, desse apelo ao invisível, desse desesperado aceno ao inalcançável.

Já é Natal porque em meio a tanta incerteza, decepção, angústia, desse grito agudo da miséria humana, dessa incapacidade de um gesto, de uma ação, só nos resta a esperança de um milagre, e tudo nos projeta em direção do divino transcendente. Uma luz há de nascer. Natal é luz.

FELIZ NATAL! E ANO NOVO MAIS AINDA!

 

***

 PROMESSAS DE FIM DE ANO

Como havíamos prometido num quase esquecido post de 15.03.2014 (’Poetas Esquecidos”), estamos planejando, para a volta definitiva da Gaveta, logo após o Carnaval, a criação de um setor permanente destinado à divulgação da poesia brasileira. Entendemos que a atual facilidade dos meios de comunicação ensejou uma certa barafunda entre os leitores quanto ao que se deva (ou possa) entender como sendo poesia. Não queremos bancar o sabereta, o magister dixit, mas a ideia é apresentar aqui exemplos do que, a nosso ver, consideramos poemas dignos de ser conhecidos ou reconhecidos dentro dos padrões habituais e conceptuais da arte. Já imaginamos duas seções diferentes: uma em que procuraremos trazer aos leitores de hoje aqueles poetas que, em nossa formação literária, eram considerados padrões do bom gosto    estético e do bem fazer poético; outra, será uma curiosidade: apresentar aos leitores poetas cujos nomes extravagantes de certa forma os tornaram “casos especiais” de nossa literatura. Referimo-nos por exemplo a vates  como Zeferino Perneta ou Judas Isgorogota, cujos nomes estranhos não os impediram de produzir belos momentos poéticos, os quais iremos mostrar em nossas duas antologias permanentes (ou seja, elas sairão em todos os posts seja como matéria principal seja como simples anexo.)

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