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Archive for the ‘Poemas’ Category

CORPUS CHRISTI

 

Ó divino banquete onde foi dada
Toda a glória do Céu por iguaria,
Nunca aparteis desta alma o santo dia
Da morte de meu Deus por mim causada.

Pagando em Cruz o amor, sem dever nada,
Tudo lhe pareceu que nos devia,
No tempo em que de nós se despedia,
Ir-se e ficar numa hóstia consagrada.

Finos toques de amor, raros extremos,
Se os anjos não vos podem entender,
Os que somos humanos que faremos?

Contento-me, Senhor, basta-me crer
Que nessa hóstia sagrada, onde vos vemos,
Mais nem menos no Céu não podeis ser.

 

Fr. MARTIM DE CASTRO DO RIO — (c. 1548-1613)

Poeta dito “minor”, português, do século XVI, sem dados  biográficos


LEIA MAIS SOBRE CORPUS CHRISTI E EUCARISTIA (aqui)


ANTOLOGIA POÉTICA DA GAVETA – A série voltará em junho com os nomes finais (mais oito) na série “de primeira linha” e outros tantos dos chamados “esdrúxulos”. Depois disso, pretendemos fazer uma outra denominada “Grandes Poetas do Brasil”, com informações mais extensas sobre os biografados e uma seleção mais ampla de seus poemas comentados.

Como já ocorrido, a Gaveta completará aniversário (o 8º) em 25 de julho, entrando em seguida em recesso até setembro, isto quer dizer que vamos ter ainda sete postagens semanais até lá.

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Chaminé

NESTES NOSSOS TEMPOS DE PROTESTO,
PROTESTEMOS CONTRA TODOS OS MUROS
OS MUROS DO PASSADO:
– A MURALHA DA CHINA
– O MURO DE BERLIM
E OS DO PRESENTE/FUTURO
– O MURO DE TRUMP
– O MURO DE CALAIS

E TAMBÉM CONTRA ESSE MURO METAFÍSICO
– O ISOLACIONISMO –
QUE ESTAMOS CONSTRUINDO EM TORNO DE NÓS MESMOS.

O MURO
Este muro começa
de cima para baixo;
a prumada mais alta
é o seu encaixe.

seu limite na altura
é o seu alicerce;
é ali que a sua
argamassa enrijece.

é ali que mais densa
sua base se apoia
e não nesse outro extremo
que na terra sobra.

seus tijolos vão
à medida que sobem
se tornando pedra
paredão mais sólido.

de modo que o muro
a quem assim o toma
parece visto ao revés
num óculo de câmara.

e esse mato adusto
que nas frestas cresce
tende para o sol oculto
que se adentra na terra.

nele o tempo cessa
seu ciclo de estragos
e reveste de cal
sua escama de pátina.

e se mais de perto
o muro observamos
veremos que se enverga
qual se arredondasse,

como se a defesa
fosse mais de torre
e não esse anteparo
contra o que é de fora.

de tal modo inverte-se
sua força autônoma
que em vez de proteger-nos
aprisiona.

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