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Archive for setembro \24\UTC 2013

UM POEMA DE GEORG TRAKL TRADUZIDO POR IVO BARROSO

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AO JOVEM ÉLIS

Élis, quando o melro chamar na escuridão do bosque,

Será teu ocaso.

Teus lábios ainda bebem o frescor azul das fontes da montanha.

Mas logo, em tua fronte irão sangrar suavemente

As lendas remotíssimas

E a obscura interpretação do revoar dos pássaros;

E então irás com leves passos pela noite adentro

Em meio aos pendentes racimos cor de púrpura

Movendo teus braços ainda mais belos nesse azul.

Uma sarça estala

Em que teus olhos lunares se concentram.

Desde quando, ó, Élis, estás morto.

Teu corpo é um jacinto

No qual um monge mergulha os dedos lívidos.

Nosso silêncio é uma caverna escura,

Donde sai às vezes uma fera mansa

Que abaixa lentamente as pálpebras pesadas.

Um orvalho negro roreja em tuas têmporas.

O ouro extremo de uma estrela extinta.

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GEORG TRAKL (1887-1914)

AN DEN KNABEN ELIS

Elis, wenn die Amsel im schwarzen Wald ruft,

dieses ist dein Untergang.

Deine Lippen trinken die Kühle des blauen Felsenquells.

Lass, wenn deine Stirne leise blutet

Uralte Legenden

Und dunkle Deutung des Vogelflugs.

Du aber gehst mit weichen Schritten in die Nacht,

Die voll purpurner Trauben hängt,

Und du regst die Arme schöner im Blau.

Ein Dornenbusch tönt,

Wo deine mondenen Augen sind.

O, wie langs bist, Elis, du verstorben.

Dein Leib its eine Hyacinthe,

In die ein Mönch die wächsernen Finger taucht.

Eine shwarze Höhle ist unser Schweigen,

Daraus bisweilen ein sanftes Tier tritt

Und langsam die schweren Lider senkt.

Auf deine Schläfen tropft schwarzer Tau,

Das letzte Gold verfallener Sterne.

Considerado por André Breton “um dos maiores poetas do princípio do século [XX]”, Georg Trakl nasceu em Salzburg (Áustria) e teve uma juventude tormentosa, tendo morrido aos 27 anos de uma overdose (ocasional?) de ópio, em que se viciou acidentalmente. Vocês podem se informar extensamente sobre sua biografia no Google, bem como ver e ouvir no youtube este poema declamado em alemão por vários atores. A melhor tradução em português para o título seria Ao moço Elis, mas a cacofonia remete logo para almoço, o que estraga a linguagem elegíaca do poema.

ATENÇÃO: Esta tradução é para anunciar a volta da Gaveta no próximo dia 25 de outubro.

Até lá.

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