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Posts Tagged ‘Lerena Acevedo’


 

O Poema Traduzido de hoje foi encontrado bem
no fundo da gaveta, numa folha amarelecida,
em que havia a frase “traduzido em 1951”.
Pelo conteúdo, até que devia figurar entre os
Versos Antigos e Sentimentais; aborda o tema
(aqui desesperado) do desencontro amoroso.
Pouco sei sobre o autor, poeta uruguaio, de nome
André Héctor LERENA ACEVEDO (1896-1920).
O poema pertence ao livro “Praderas Soleadas” e,
contrário ao título, encerra uma poesia de tom soturno.
O poeta faleceu aos 24 anos, de tuberculose.

ABRE BIEN LA VENTANA…

Abre bien la ventana, Madre: que esta manãna
hace bien a mi pecho, ávido de vivir,
y es buena para amar. Abre bien la ventana:
ella, a estas claras horas, me prometió venir…

Mira bien… Quizá el tronco de algun antiguo pino
en el sendero claro te impida ver su marcha.
Ponte los viejos lentes, que es muy largo el camino…
Hoy no dirá que hay frío, ni que hay viento, ni escarcha…

Tan pronto la distingas, sabrás cuál es, pues tiene
La alegría del pájaro y el candor de la infancia…
Pero… cómo se tarda…! Dime, por Dios, no viene…?
Oigo unas campanadas lentas, en la distancia…

…Cierra bien la ventana, Madre. El aire está puro
y, embriagado de dicha, parece sonreir;
y el sol es bueno… Pero, deja mi cuarto obscuro…
Para que he de curarme, si ella no ha de venir…?

***

Abre bem a janela, Mãe: que a manhã é bela
e faz bem ao meu peito, ansioso de existir,
e é boa para amar. Abre bem a janela:
alguém, nesta hora clara, me prometeu de vir…

Vê bem… talvez o tronco de algum vetusto pinho,
na clara senda, impeça que a vejas na jornada.
Põe os teus velhos óculos, que é tão longo o caminho…
Ela não dirá, hoje, que há vento, frio ou geada…

Tão logo a distinguires, verás quem é, pois tem
A alegria do pássaro e a candidez da infância…
Mas… oh! como demora… Será que ela não vem?…
Ouço umas badaladas bem lentas, na distância…

Fecha bem a janela, Mãe. Sei que o ar está puro,
que, tonto de alegria, parece até sorrir;
e este sol como brilha!… Mas, deixa o quarto escuro…
Por que hei de me curar se ela não há de vir?!

***

Para aliviar um pouco o desespero, tiro da gaveta um
soneto meu, antigo, em que o desencontro pelo menos
foi motivado pela chuva…

A ETERNA ESPERA

E ela não veio! E a noite, um tanto fria,
tão propícia aos encontros de casais!
E chove! E sei que a chuva nos faria,
estando juntos, nos juntarmos mais!

E ela não veio! E a boca em agonia,
morrendo em beijos, suspirando em ais,
anseia que desponte um novo dia,
baixem de novo as sombras vesperais,

seja logo amanhã e que ela, tonta,
busque na minha boca sempre pronta
o sol do amor e a lua do desejo

e desmaie em meus braços, como louca,
já cansada e rendida, que uma boca
será pequena para tanto beijo. (1952)

***

Já o poeta LUÍS GUIMARÃES JR. (1847-1898)
foi mais feliz, e nos dá o contraponto da situação
neste soneto:

A PRIMEIRA ENTREVISTA

Ela não tarda. Disse-me que vinha:
Mas quem sabe! Se acaso acontecesse
Qualquer cousa imprevista e não viesse!
Ó Deus do céu! que situação a minha!

E este relógio vil que não caminha!
E o tempo! – uma hora apenas e parece
Noite fechada já! Ah! se chovesse!…
Mas, não: alguém tocou à campainha,

Alguém subiu veloz a minha escada:
Ouço um rumor de seda machucada
E uns miudinhos, uns nervosos passos…

Duvido ainda! Espreito delirante:
Abro a tremer – e toda palpitante
Ela cai a sorrir entre os meus braços.

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