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Solicitamos aos dez leitores abaixo, contemplados com o livro “Antologia Poética da Gaveta”, que mandem, com urgência, seus endereços postais (completos) a fim de podermos enviar os prêmios. Foram reservados ainda outros cinco exemplares para futuro sorteio.

 

  • Wladimir Saldanha
  • Saulo von Randow Júnior
  • Octávio Ferraz
  • Jeferson Barbosa da Silva
  • Valdir Luques
  • Arthur de Siqueira Brahm
  • Fernando Neto
  • Maristela Pimentel
  • Luciano Sheikk
  • Pedro Maciel

OS ENDEREÇOS POSTAIS PODEM SER MANDADOS DIRETAMENTE PARA ESTE SITE.

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ANTOLOGIA POÉTICA DA GAVETA

O mais precioso editor da Pauliceia, nosso caro amigo Cláudio Giordano, que já nos dera (a mim e a alguns felizardos leitores da Gaveta) a bela edição dos “Fünfzehn Gedichte” em 2016 e o maravilhoso “Meu Rubaiyat” em 2017, presenteia-nos agora com esta “Antologia Poética da Gaveta”, uma verdadeira joia de delicadeza gráfica e bom gosto editorial. Giordano recolheu os artigos que escrevi na Gaveta com o intuito de salvar, para o leitor de hoje, algumas das belas poesias que cultivávamos em meus tempos de jovem, e fez da colheita um opúsculo de sensível beleza, digno repositório das grandezas poéticas que ele encerra. Infelizmente o livro não está à venda, pois se trata de uma edição do autor, que teve a oportunidade de poder contar, mais uma (última?) vez com a mestria gráfica das edições Giordanus. Uns poucos exemplares, no entanto,  foram reservados para aqueles leitores que, sincera e decididamente interessados, desejarem guardar a lembrança de nossa Antologia. Basta enviar-nos seu endereço postal e aguardar o sorteio. Os dez primeiros solicitantes serão os que terão mais chances de serem contemplados.

Luhan Dias

 

Trôpega, mas risonha, a Gaveta chega hoje ao seu oitavo aniversário. Em 2018 ela andou perrengue, esteve em recesso algumas vezes, amarelou em outras e ameaçou trancar-se definitivamente em 12.04.2018, durante uma pseudocrise de suposto abandono (agora sei!). Samaritanos leitores ocorreram prestimosos para enaltecer as qualidades da Gaveta e estimular seu amanuense a mantê-la sempre aberta. Entre mortos e feridos, salvaram-se todos… E aqui vamos nós, sem estarmos ainda bem certos se os nossos esforços (pesquisas sem conta, leituras exaustivas) para manter uma divulgação (antologia poética) que julgamos necessária – estariam sendo correspondidos pelo interesse daqueles que nos leem (dúvida geradora da pseudocrise).  Como sempre, após os brindes de aniversário, pernas pro ar que ninguém é de ferro (como dizia o nosso velho Ascenso Ferreira aqui). Estaremos fora do ar em agosto, entregues a leituras e buscas para, na volta, apresentar aos leitores uma nova Antologia Poética, cobrindo a produção de vates nascidos nos 27 estados das 5 regiões do Brasil:

NORTE (Tocantins, Acre, Pará, Rondônia, Roraima, Amapá e Amazonas) …

CENTRO-OESTE (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal) …

NORDESTE (Bahia, Sergipe, Alagoas, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Maranhão) …

SUDESTE (Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo)

SUL (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul).

 

Até breve!


O tradicional Curso de Especialização de Tradutores DBB (Daniel Brilhante de Brito) tem agora o premiado shakespeariano Erick Ramalho como professor de tradução, que dará aulas na sede do curso, em Copacabana, às sextas-feiras, das 9:30h às 12:30h. Aos sábados, pela manhã, o DBB oferece o mesmo curso com a professora Lia Bittencourt, no horário das 9:30h às 12:30h. O segundo semestre se inicia em 10 de agosto, mas o curso tem matrículas contínuas, de modo que alunos novos podem iniciar as aulas a qualquer momento durante todo o ano. Para informações e inscrições: info@dbb.com.br, ou pelos telefones(21) 2549-5151 /  (21) 99762-1895.

DULCINEIA E TRANCOSO

 

— É um pássaro?

— Uma estrela?

— Um avião?

NÃO, É O SUPERSOLHA!  o grande, o grandíssimo Solha das empresas grandiloquentes.

Leitor, ninguém lerá a Engenhosa Tragédia pensando que se trata de um grande poema, de um longo e grande poema, de uma obra prima poética; não, não é: apesar de até bilingue e formatado em versos, este arsenal retórico é muito mais que isso: é o momento de transição em que os recursos banais da poesia – como a rima – a natural e a arquitetada– funcionam como ejetoras de mirabolantes peripécias verbais, nas asas de uma erudição desagradavelmente superior à nossa, que nos esmaga, apequena, inferioriza. Sinta-se, leitor, incapacitado ou ainda não capacitado para encarar este poema (?), este arsenal de símbolos, evocações, mergulhos no passado clássico e emersões escafândricas no presente mais cotidiano da nossa rádio-televisão;  esta viagem sideral por várias épocas e momentos literários, citações, evocações, transposições, que vão da pré-história ao nordeste mais folclórico e corriqueiro; estes pulos de trapézios cronológicos, estilísticos, linguísticos, sublimes ou banalíssimos num conúbio que desconhece tempo e espaço, que engloba tempo e espaço, que confunde tempo e espaço, em virtuosos passes de mágica, que levam da idade da pedra (!) aos mais arcânicos e infundados abismos etimológicos.

Não, leitor, não leia a Engenhosa Tragédia de Dulcinéia e Trancoso, pois ela não é engenhosa, nem tragédia, nem é Quixote, e nem Lampião. É um combate aéreo com tanques voadores, e motocicletas aquáticas, monstros e gente, todos seus pseudoconhecidos, mas transpostos para uma dimensão a que você ainda não chegou. É uma linguagem que você não fala, um idioma que você não conhece, um criptograma que você não consegue decifrar. Enfim, um panorama cronologicamente mais avançado do que os estereótipos a que você chegou a tanto custo.  Não leia agora, vá se preparando para tal e volte daqui a um tempo. Enquanto isto, o só, o sol, o Solha, irá, por sua vez, se libertando desses arquétipos que há tanto tempo o torturam e aprisionam a uma pedra (!), como o seu guru Suassuna; irá sair do rasteiro Nordeste para o prado (!) das paisagens mais amplas que conhece e curtiu; esquecerá de vez o folclore, o oxente e fará aquele poema mais que superficial, terra-a-terra, cheio de emoções banais a que estamos todos acostumados. E o Solha voltará a ser um dos nossos sem a genialidade que o distingue.

 

Afinal, como o senhor definiria a obra?

UM ESTOURO DE BOIADAS ELETRÔNICAS

EM CORRIDAS ESPACIAIS PELA CAATINGA

ÉRAMOS QUATRO

 

 

 

 

 

Éramos quatro irmãos, todos com nomes de 3 letras – Léa, Ivo, Ney e Lia – que nosso pai, farmacêutico de ideias avançadas, queria preparar para o futuro. Líamos o Tesouro da Juventude e fazíamos ginástica pelo rádio, na voz energética do prof. Oswaldo Diniz Magalhães. De tempos em tempos, aparecia, no Herval daquele tempo, um fotógrafo profissional que fazia retratos de família e aí estamos nós, bem vestidinhos e penteadinhos, fazendo pose num dos bancos do Jardim.  A Léa está meio emburrada porque não queria de forma alguma aparecer com aquele enorme laço de fita branca no cabelo, absurda imposição de nossa mãe e insistência indevida do fotógrafo. Sobre nossa irmã mais velha, vocês podem ler aqui a crônica que publiquei há muitos anos num jornal de Minas. Sobre o Ney, nosso querido irmão, infelizmente falecido, tenho evocado sua lembrança todo ano em 10 de julho, dia de seu aniversário (veja aqui). Faltava falar sobre a Lia, que aparece logo no início do poema Longe, que vai transcrito abaixo. Sim, brincávamos de circo e Lia cantava (?) a Amapola, então grande sucesso musical. Mas além de cantora e trapezista, ela nos servia também de alvo, aliás em perigosas circunstâncias. Como presente de Natal, em certo ano, eu e Ney ganhamos, além dos arcos, uma aljava cheia de setas cujas pontas de ventosas se grudavam nas superfícies lisas. Nossos exercícios se tornaram mais realistas e perigosos quando encostamos a Lia na parede e disparamos contra ela flechadas sem parar, à moda dos índios que víamos no cinema. Despertada pelos gritos alucinantes da pobre vítima, nossa mãe apareceu e, confiscando arcos e flechas, por assim dizer acabou com a brincadeira. Por incrível que pareça, o “alvo” dos terríveis “mohicanos”, sobreviveu à infância, à juventude e chegou à maturidade, hoje completando 85 anos, pelo que lhe desejamos parabéns.


LONGE

Quando éramos pequenos, brincávamos de circo.
Lia cantava a “Amapola”.
Ney soprava uma flauta de bambu.
Cesário e eu contracenávamos
na peça” Jony Cantor”:
escrita por mim
dirigida por mim
representada por mim
— tudo segundo as primeiras manias
americanas que surgiam.

A entrada eram cinco paus de fósforo
e o nosso sucesso espantoso.
Claro que só havia uma sessão,
mas era de abafar.
No fim da mesma a assistência
destruía o circo,
rasgava a cortina, quebrava os bancos,
jogava tinta e fogo nos atores.
Mas eu mostrava aos outros a imensidão
dos paus de fósforos
e depois íamos todos rasgar as tabuletas
com um sorriso de vitória.

(1945)

 

FOOTBALL

Robson Tamas

Confesso que nunca fui muito chegado a futebol. Em criança, joguei bola umas poucas vezes no terreiro da farmácia, com ramos de goiabeira delimitando o espaço do gol. Jogávamos a dois, quero dizer, eu e meu irmão, que era o dono da bola, excluídos os meninos da rua que, por jogarem certamente melhor que nós, ficavam só peruando, sem chances de participar. Eu era o goal-keaper (nessa época, anos 40-50, os nomes das posições eram todos em inglês: half. back, midfield, etc.) e devia defender os shoots do implacável forward, que além disso jogava sozinho sem ninguém na marcação. Resultado: era gol toda vez que ele chutava em gol, salvo uma em que, sem querer, defendi a bola com o joelho, provocando uma briga de foi-gol-não-foi, digna de qualquer Copa do Mundo. Lembro estas coisas, gaiatas e distantes, distantes mas não apagadas da lembrança e da saudade, ao recordar o quanto meu irmão gostava (diferentemente de mim) de futebol. Em garoto, jogou na escola, no colégio, na rua e nos clubes de bairro, mas, já famoso professor que comandava legiões de alunos, tornou-se torcedor qualificado do Fluminense, chegando a participar, mais tarde, da própria diretoria do Clube.

Ele estaria completando hoje 87 anos, não o tivesse tirado de campo uma operação malograda de safena, causadora deste vácuo e desta saudade, hoje que eu teria, pelo seu  aniversário, razões de cumprimentá-lo e perguntar pelo “nosso” futebol.

ÚLTIMA PÁGINA

Alguns leitores reclamaram não ter eu incluído na Antologia Poética da Gaveta o poeta X ou o poema Y. Esclareço que essa coletânea de poemas aqui transcrita não obedeceu a nenhum critério seletivo nem muito menos didático. Quis dar apenas aos leitores a imagem do que era uma das distrações culturais de meu tempo e copiei os poemas de um álbum em que se pretendia registrar somente versos “de primeira linha”. O conjunto está longe de representar uma mostra do que seja o panorama ou qualquer fase da poesia brasileira, e as omissões e lacunas são tantas que tornam sem efeito qualquer possível reclamação. Estão ausentes nomes importantes como os de Álvares de Azevedo, Gonçalves Dias, Castro Alves; há um silêncio total sobre os nossos simbolistas geniais, como Alphonsus de Guimarães; omitiu-se o gigante Augusto dos Anjos e não se chegou aos poetas modernos, de grande, de enorme importância. Cito estes nomes ao acaso para que o leitor procure, de per si, conhecê-los, sem o que este seu passeio pela literatura brasileira seria a mera passagem por um túnel. Temos um projeto em progresso, que é a Antologia de Poetas Regionais, que pretendemos lançar logo após a volta das férias. Mas prometo a mim mesmo que farei, vez por outra, pequenos ensaios sobre grandes poetas brasileiros, sempre no intuito e esperança de incentivar nossos leitores a conhecê-los melhor.

Encerramos esta nota com um achado: na última página do álbum, com letra bem diferente da nossa, encontramos um soneto, Saudade, e logo nos lembramos de como ele foi aparecer ali. Um tio nosso, que partilhava de nossas leituras e anseios poéticos, tinha especial predileção por esse soneto e nos pediu algumas vezes para incluí-lo no álbum. Argumentávamos sempre que os nossos poemas eram todos de amor, de ternura, de felicidade ou desengano e que o seu pretendido falava apenas da lembrança de sua terra natal; sobre o tema já tínhamos o Berço, de B. Lopes, incluído, aliás, após certa relutância. Agora, ao reler este Saudade, reconheço as qualidades poéticas do trabalho, uma joia de realização singela, na métrica sonora, nas rimas inocentes, na naturalidade das frases, e, de repente, aquela invocação insólita que se tornou proverbial: um must! E ele aí vai:

SAUDADE – Da Costa e Silva (1885-1950) – poeta piauiense (25)

Resultado de imagem para Da Costa e Silva

Saudade! Olhar de minha mãe rezando,
E o pranto lento deslizando em fio…
Saudade! Amor da minha terra… O rio
Cantigas de águas claras soluçando.

Noites de junho… O caburé com frio,
Ao luar, sobre o arvoredo, piando, piando…
E, ao vento, as folhas lívidas cantando
A saudade imortal de um sol de estio.

Saudade! Asa de dor do Pensamento!
Gemidos vãos de canaviais ao vento…
As mortalhas de névoa sobre a serra…

Saudade! O Parnaíba – velho monge
As barbas brancas alongando… E, ao longe,
O mugido dos bois da minha terra…

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